"Aqui está minha vida. Esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento. Aqui está minha voz, esta concha vazia, sombra de som curtindo seu próprio lamento Aqui está minha dor, este coral quebrado, sobrevivendo ao seu patético momento. Aqui está minha herança, este mar solitário que de um lado era amor e, de outro, esquecimento".

Thursday, January 08, 2009

"O que eu quero...é sossego"

Talento é uma coisa curiosa.Um novo olhar sob algo já visto várias vezes.Fazer do comum um espetáculo.Ou,ainda melhor, criar um espetáculo.Criar.Uma palavra,um cheiro,uma vida inteira,e, de repente, a inspiração.Uma obra criada é resultado das experiências vividas por uma só pessoa,pode ser reproduzida várias vezes, mas nunca mais feita com aquele mesmo sentimento.
Eu estou esperando minha veia artística estourar.Mas,sinceramente, está demorando um pouco.Ainda não tive nenhuma idéia original.Não tenho talento para música,nem números,nem nada que eu já tenha conhecido.Também não escrevo nada realmente relevante.Nunca decoro piadas e meu último miojo quase acarretou na explosão do apartamento.A verdade é que não tenho muito jeito para nada.E não dá pra forçar.
Ainda pior do que não ter talento, é forçar algum.Tentar convencer os outros de que,observem, sou um gênio não descoberto.Por outro lado,quando escuto aquelas pessoas que dizem não gostar de nada,que fazem qualquer coisa que seja lucrativa,penso: que vida vazia,ainda bem que eu...ops,não sei fazer nada.
Acho que estou na crise da metade da meia idade.

Queria você bem miudinha...mas tão miudinha que eu pudesse cuidar de você o tempo todo.E a noite eu estaria lá se você tivesse medo,te guardaria na palma da mão e esperaria acordada até te ver dormindo com sua respiração tranquila de anjo do céu.
Mas sua casa é exatamente o céu.É o seu lugar, o infinito azul que você merece e que eu nunca vou poder oferecer.Seu mundo é gigante e não cabe na minha gaveta.Então eu peço ajuda aos maiores.Que te guardem na palma da mão quando você sentir medo.Que estejam com você todas as horas dos seus dias.Que façam com que você viva momentos de felicidade tão intensos que quando a tristeza chegar ela se sinta deslocada perto de você.Eu peço ,por favor, que ninguém te magoe.Que você não se sinta só.Que você tenha sonhos lindos.Que a chuva espere até você chegar em casa.Que não adoeça.Que tenha bons amigos.Que não te falte nada.E assim fico tentando barganhar com o céu...pedindo que,se for necessário,que punam a mim.
Talvez seja bobo ou inútil,eu não sei.Sei que é amor.E eu queria que, de alguma forma, chegasse a você.

Monday, December 29, 2008

Eu pensei que eu fosse a dona da poesia.Sentia que ela nascesse dentro de mim como um pingo d'água,que crescesse lentamente,como um rio, e que fosse tomando força até virar enchente.
Então eu a deixava transbordar.E até uma nova cheia se formar,não existia poesia.Nada concreto a não ser respingos de sentimentos.
Demorou para eu entender que a poesia brotava de todos os lugares,alheia a minha vontade.Que era eu quem transbordava e somente nela encontrava um lugar de repouso.De vez em quando ela me deixa viajar nas suas asas,mas é uma ave livre.Aparece apenas quando precisa me ensinar a voar.

Monday, December 15, 2008

Está difícil de manter qualquer ordem nos meus pensamentos. Eles vão para aonde querem,sem meu consentimento.Eu sempre aviso antes: aí não.E quando dou por mim já estou lá no meio de tudo de novo.Você já sentiu que tem dois mundos dentro de você?São tão opostos que é impossível entender como os dois coexistem em uma só alma.E quando se está em um deles a impressão que se tem é de que nunca se vai voltar para o outro...talvez ele nem exista mais.
O que eu queria mesmo é imitar esse ar de tranquilidade das pessoas na rua.Andam pelas calçadas com aquela naturalidade...como se o mundo todo acabasse ali,ao final da esquina.E eu me perco imaginando todas as esquinas que nunca vou conhecer.Queria escrever toda minha confusão e deixa-la para sempre aqui nessas letras.Como se exteriorizar fosse esquecer.Teriamos pessoas mais sinceras assim?Deus que nos deu a alma não ensinou como se faz para alivia-la...

Wednesday, November 05, 2008

Estou aprendendo que não tenho nada que seja,de fato,meu.Nada que não me possa ser roubado ou ir embora por vontade própria.Estou começando a aceitar a efemeridade do eterno-o palco é mesmo de papelão.E porque ainda preciso aprender muito,me escondo de vez em quando.
Então não tenho nada,mas você ainda está lá.E ao conhecer uma pessoa nova eu rezo baixinho pra que ela carregue nos olhos um pouco do que você carrega.Mas eu olho ao redor e...casca,casca,casca.E você.Então eu acredito mais uma vez.

Eu vejo as flores no cantinho do chão
diferentes de tudo mais que há no mundo
vermelhas e inspiradoras
vermelhas e convidativas
e elas cantam em coro:
abrimos a porta da vida pra você entrar
E diante desse convite inesperado
a paixão,o conflito e o desejado
Eu lhes respondo
-Não,obrigado
é que hoje estou cansado

Tuesday, September 30, 2008

Na antiga Grécia, Sócrates tornou-se famoso pela sua sabedoria e pelo grande respeito que manifestava por todos. Um dia, veio ao encontro do filósofo um homem, seu conhecido, que lhe disse:
- Sabes o que me disseram de um teu amigo?
- Espera um pouco - respondeu Sócrates. Antes de me diseres alguma coisa, queria que passasses por um pequeno exame. Chamo-lhe o exame do triplo filtro.
- Triplo filtro?
- Isso mesmo - continuou Sócrates. Antes de me falares sobre o meu amigo, pode ser um boa ideia filtrares três vezes o que me vais dizer. É por isso que lhe chamo o exame de triplo filtro.
O primeiro filtro é a verdade. Estás bem seguro de que aquilo que me vais dizer é verdade?
- Não - disse o homem. Realmente só ouvi falar sobre isso e ...
- Bem! - disse Sócrates. Então, na realidade, não sabes se é verdadeiro ou falso.
Agora, deixa-me aplicar o segundo filtro, o filtro da bondade. O que me vais dizer sobre o meu amigo, é uma coisa boa?
- Não. Pelo contrário...
- Então, queres dizer-me uma coisa má e que não estás seguro que seja verdadeira. Mas posso ainda ouvir-te, porque falta um filtro, o da necessidade. Vai servir-me para alguma coisa saber aquilo que me vais dizer sobre o meu amigo?
- Não. De verdade, não...
- Bem - concluiu Sócrates. Se o que me queres dizer pode nem sequer ser verdadeiro, nem bom e nem me é necessário, para que é que o queria saber?


Não agueeeeeeeento mais fofoca!!!!!!!!!!

É isso aí
ou é de outro jeito
no final das contas,tanto faz.
No final,não quero prestar contas,aliás.
Um grande sorriso sincero no rosto
e nada mais.

Wednesday, September 24, 2008





Vamos entrar
Não tenho tempo
O que é que houve?
O que é que há?
O que é que houve meu amor ,
você cortou os seus cabelos?
Foi a tesoura do desejo
desejo mesmo de mudar...

Saturday, September 13, 2008



Espetáculo de vida
que explode
no momento
da despedida
O sol poente
leva embora
o rosto
descontente